Aprenda o passo a passo de como plantar bulbos para você acertar no cultivo

Os bulbos são mecanismos que possibilitam que algumas plantas armazenem a água e os nutrientes que retiram do solo. Segundo a engenheira-agrônoma Marina Tomioka, essa característica faz com que elas tenham um ciclo de vida diferenciado e fiquem protegidas das intempéries. A amarílis (Hippeastrum hybridum), por exemplo, apresenta grandes flores estrelares, no outono e na primavera.

Quando as flores murcham, começam a surgir as folhas, que secam depois de três ou quatro meses. Aí, a planta entra em estado de dormência. Os menos avisados pensam que a amarílis morreu. Mas se nessa época seus bulbos forem desenterrados e guardados em local protegido, a planta reiniciará seu ciclo de vida depois que eles forem plantados de novo no outono.

Amarílis. Crédito: Shutterstock

A mesma coisa acontece com as calas (Zantedeschia ‘Sprited hybrids’).“O motivo de os bulbos serem desenterrados é simples. No solo, eles ficam suscetíveis ao ataque de pragas, como lagartas e cochonilhas”, explica Marina. A dica é aproveitar que os bulbos foram desenterrados e multiplicar a planta (veja como no quadro abaixo). Também vale a pena manter os vasos de plantas de raízes tuberosas,como o ciclame (Cyclamen persicum). “As pessoas acreditam que ele não floresce novamente porque sua folhagem fica mais baixa e meio murcha quando a espécie entra no período de dormência. Mas as folhas só estão dando espaço para que outras surjam no fim do outono e começo da primavera”, explica. Tanto as plantas bulbosas quanto as tuberosas devem ser adubadas mensalmente depois que saem do período de dormência. Primeiro, utilize um fertilizante NPK 10-10-10 para estimular a brotação da folhagem, depois passe a adubar com NPK 4-14-8 para estimular a florada.

Bulbos na decoração

Embora nem todas as bulbosas se adaptem às condições climáticas do Brasil, há uma grande quantidade destas plantas que pode fazer parte da sua pequena flora particular. E o mais importante, e até encorajador, é que apesar de praticamente desaparecerem durante um determinado tempo, elas são de cultivo simples. Tão simples, aliás, que algumas não precisam seque de cuidados básicos e rotineiros como semear, transplantar e fazer mudas.

Esses cuidados muitas vezes não se fazem necessários às bulbosas porque elas resistem muito bem quando plantadas fora do seu meio natural. Isto é, entre outras coisas, o bulbo (gema terminal suculenta subterrânea) tem a função de reservar nutrientes para uma posterior alimentação, multiplicação e até para a preservação da espécie. Porém, durante algum tempo, no chamado período de dormência, toda a energia da planta é gasta neste trabalho, não sobrando nutrientes para que as folhas e flores se desenvolvam. Daí a característica da perenidade, mesmo que nesta fase a parte aérea da planta não dê o ar da sua graça.

Crédito: Shutterstock

Utilidades no paisagismo

É prudente que se saiba o modo como os bulbos crescem, pois é disso que depende a sua utilização no paisagismo. O que talvez intimide muito as pessoas a plantar os bulbos com mais frequência é o fato de não saberem ao certo como usá-los. Em outras palavras, a maior dúvida quando se fala de bulbos é se eles poderiam fazer parte de um jardim tropical, se o seu uso se restringe simplesmente à decoração de ambientes ou como flor de corte em arranjos.

Pois saiba que os bulbos podem ser usados de várias formas: na área externa, em canteiros de qualquer estilo de jardim, em vasos e sim até em arranjos.

Palma-de-Santa-Rita. Crédito: Shutterstock

Plantio

Os bulbos têm como característica básica um mecanismo de reserva de alimentos que fica localizado abaixo da superfície do solo. É nessa parte das plantas bulbosas que se desenvolvem as gemas, responsáveis pelo aparecimento de novas gerações.

A capacidade que eles têm de acumular nutrientes garante o impulso inicial para o crescimento da planta na estação seguinte. Por isso, podem florir até em prateleiras se você esquecer de plantá-los. Pode não vingar, mas certamente vão brotar. Mas a verdade é que cada bulbo tem uma profundidade ideal de plantio. Se plantados em buracos muito profundos, perdem energia demais para tingir a superfície do solo, e as flores ficam prejudicadas ou nem aparecem. Se plantados rasos demais, a ação do sol, do vento ou das chuvas pode ser fatal. Veja abaixo a profundidade ideal para algumas espécies.

Os bulbos podem ser plantados em qualquer época do ano, mas para florescerem na primavera, a estação mais indicada para o plantio é o outono. No entanto, alternando as espécies que dão flores em épocas diferentes, é possível ter vasos coloridos durante boa parte do ano, inclusive no inverno. É só plantar e aguardar.

Acompanhe o vídeo de passo a passo com a produtora da revista Natureza nesse link.

Divisão de bulbos passo a passo

É fácil propagar plantas de raízes bulbosas. Basta desenterrar os bulbos quando acabar a florada a espécie e a planta entrar em dormência. Aí, é só limpá-los (A) e dividi-los (B e C) com as mãos. Feito isso, mantenha os bulbos em local protegido das intempéries e bem ventilado até a época de replantar – o que varia de acordo com a espécie. Quando a hora chegar, observe se o bulbo continua vistoso (D). Caso esteja com manchas (E), aplique óleo de Neem antes do cultivo. “É uma tentativa de fazê-los se desenvolver. Se estiverem secos, é melhor descartá-los”, explica Marina.

Bulbos facilmente encontrados no jardim:

– Acidântera
– Alho-ornamental
– Amarílis
– Angélica
– Crino
– Frésia
– Flor-leopardo
– Jacinto
– Lírio-do-amazonas
– Narciso
– Palma-de-santa-rita
– Ranúnculo
– Trevo-de-quatro-folhas
– Tritônia
– Zefirantes