Conheça a pimenta-do-reino, a trepadeira que produz até quatro tipos do tempero e faz bonito no jardim

– Por Ana Vazzola | Fotos Valerio Romahn

Não fosse por causa da pimenta-do-reino (Piper nigrum) – e de outras especiarias que faziam sucesso na Europa –, talvez os portugueses não tivessem descoberto o Brasil. É que, pelo menos segundo a história oficial, foi tentando percorrer a rota até as Índias que Pedro Álvares Cabral aportou do outro lado do Atlântico, no final do século XV.

Razões para cortar os oceanos em busca da especiaria não faltavam a Portugal: cultivada na Índia e região há mais de 4000 anos, ela era tão valorizada na Europa que o dinheiro obtido com sua venda era mais que suficiente para cobrir os custos dos muitos navios naufragados no percurso, pagar os atravessadores e render um bom lucro.

Para que se tenha uma ideia de como a especiaria era preciosa, um quintal de pimenta-doreino – uma antiga unidade de peso que equivale a 60kg – chegou a valer o mesmo que 52g de ouro. Daí muita gente chamá-lo de ouro negro.

Apesar do alto valor comercial da pimenta-do-reino, foi somente no século XVII que os portugueses, já de posse do território brasileiro, decidiram tentar cultivar por aqui não deu muito certo.

Só em 1933, com a chegada do cultivar Cingapura, trazido pelos japoneses,  tornou-se possível o plantio comercial da espécie. Hoje, o país é considerado um dos principais produtores mundiais de pimenta-do-reino, com destaque para os estados do Espírito Santo e do Pará.

ELEGÂNCIA NO JARDIM

Pequenos, redondos e em forma de baga, os frutos da pimenta-do-reino nascem em belos cachos de coloração verde e, conforme amadurecem, vão se tornando vermelhos. O curioso é que, dependendo do momento em que são colhidos e o tratamento que recebem, eles dão origem a diferentes tipos de pimenta.

Mas os frutos não são o único motivo para se ter uma pimenteira-do-reino no jardim. Com folhas grandes e escuras, a trepadeira de até 4 m de comprimento dá um ar tropical aos espaços quando conduzida nos troncos de árvores, em treliças ou pergolados. Os passarinhos adoram os grãozinhos vermelhos que ela produz e batem ponto na época da frutificação.

CULTIVO SEM MISTÉRIOS

O plantio da pimenteira-do-reino requer alguns cuidados. O primeiro é esperar a época mais chuvosa do ano para abrir o berço de 40 cm x 40 cm x 40 cm que irá acomodar a muda. Preencha-o com três litros de composto orgânico e faça o plantio. Depois, conduza os ramos da trepadeira em uma treliça, nas colunas do pergolado ou no caule de uma árvore. Nessa fase de enraizamento, o administrador do Viveiro Demuner Gilsimar Moreira recomenda cobrir a muda com folhas de coqueiro por até vinte dias para sombreá-la

Bastante exigente em nutrientes, a pimenteira-do-reino deve receber até quatro aplicações de adubo químico rico em fósforo e potássio ao ano. “Elas são feitas na estação chuvosa, com intervalo de 30 dias”, explica.

Os primeiros frutos são colhidos cerca de um ano e meio após o plantio: as flores começam a despontar na estação chuvosa do ano seguinte e, aproximadamente seis meses depois, os frutos atingem a maturação.

A pimenta-do-reino é suscetível ao ataque de cochonilhas e pulgões, que se instalam em suas folhas. O tratamento é feito com produtos químicos receitados por um engenheiro agrônomo. Já para combater as lagartas, que também ameaçam a planta, a dica é desfolhar as partes afetadas.


PIMENTA-DO-REINO EM DETALHES

• Nome popular: pimenta-do-reino
• Nome científico: Piper nigrum
• Família: Piperáceas
• Origem: Índia e florestas equatoriais da Ásia
• Características: trepadeira lenhosa e de hábito volúvel, com ramos de até 4 m de comprimento. Cultivada para a produção de frutos, cria um efeito ornamental no paisagismo. No Brasil, existem sete cultivares principais: Cingapura, Iaçará, Bragantina. Guajarina, Apra, Kottanadan e Uthirankotta
• Folhas: lanceoladas, ovais e verde-escuras, medem até 10 cm de comprimento, dependendo do cultivar
• Flores: diminutas e esbranquiçadas, surgem agrupadas em longas inflorescências de até 15 cm de comprimento. Aparecem sempre no início da estação chuvosa
• Frutos: pequenos e em forma de baga, nascem em cachos. São verdes e, conforme amadurecem, tornam-se vermelhos
• Luz: sol pleno
• Solo: arenoargiloso
• Clima: tropical úmido
• Plantio: preferencialmente em épocas chuvosas, abra berços de 40 cm x 40 cm x 40 cm, preencha-os com 3 litros de composto orgânico e acomode a muda. Depois conduza-a em uma treliça, na coluna de um pergolado ou no tronco de uma árvore. Durante o período de enraizamento, que demora 20 dias, mantenha a planta sombreada cobrindo-a com folhas de coqueiro
• Regas: diárias, sem encharcar o solo
• Adubação: durante a estação chuvosa, faça quatro aplicações de adubo químico rico em fósforo e potássio, com intervalo de 30 dias entre elas
• Podas:quando a muda estiver com 40 cm de altura, corte as pontas dos ramos para que eles comecem a ramificar. Depois disso, as podas tornam-se desnecessárias
• Reprodução: por sementes estaquia