Bonitos e fáceis de cultivar, os capins estão ganhando cada vez mais destaque no paisagismo

– Por Ana Luísa Vieira | Fotos Valerio Romahn

Antes relegados a porções pouco valorizadas do jardim, os capins ornamentais vêm conquistando seu lugar ao sol no paisagismo. Os motivos desse recente sucesso são muitos: eles são resistentes, oferecem inúmeras possibilidades de uso em áreas externas, contam com cores, tamanhos e texturas diversos, não requerem substituição periódica e, sobretudo, demandam pouquíssimos cuidados. “Os capins apreciam solo úmido e bem drenado, mas precisam de pouca água e nutrientes para crescerem saudáveis. Seu estabelecimento Também é muito rápido”, conta o engenheiro agrônomo e produtor Adriano Alves.

O melhor de tudo é que os cuidados principais são os mesmos para a maior parte das espécies: “Basta plantar os capins usando 2 kg de esterco de curral curtido por m² e, passados 30 dias, adicionar 100 g de NPK 10-10-10. O solo só deve ser irrigado quando estiver seco, e o prazo médio para o estabelecimento das mudas é de três meses”, garante o produtor. Confira alguns dos mais belos capins ornamentais e sugestões de como usá-los no paisagismo. Um conselho: reserve desde já um espaço para eles no seu jardim.

ENTRE CORES E TEXTURAS

Alguns capins ornamentais não só possibilitam a criação de composições com volumetrias e texturas originais, como também formam manchas coloridas no jardim. A grama-japonesa (Carex hachijoensis ‘Evergold’) (1) faz parte desse grupo. A espécie, que chega aos 30 cm de altura, conta com folhas longas e estreitas que combinam bordas verdes e miolo amarelo-creme – tons chamativos que garantem contraste ao visual de caminhos e canteiros bordados pela espécie.

O capim-do-texas-rubro (Pennisetum setaceum ‘Rubrum’) (2) segue a mesma linha. Seu sistema foliar, que forma touceiras, conta com lâminas compridas cuja cor vai do vinho-escuro ao marrom-avermelhado. Por conta de seu porte, que chega a 1,5 m de altura, a planta pode ser cultivada como destaque em canteiros mistos. Para quem busca por variedades mais clássicas, o capim-do-texas (Pennisetum setaceum) (3) é uma boa pedida. Com folhas finas e delicadas que desfrutam da graciosa companhia de inflorescências rosa-esbranquiçadas, ele agrega cor e textura a qualquer canteiro. Por crescer até 1 m de altura, a espécie ainda pode fazer as vezes de forração para plantas maiores. No projeto ao lado, por exemplo, a gramínea quebra a rigidez do visual coroado pela palmeira-de-saia (Washingtonia filifera) (4).

A grama-japonesa (1) e o capim-do-texas-rubro (2) criam composições chamativas no jardim. As touceiras compostas por lâminas que crescem para baixo fazem delas espécies ideais para servir de ponto de destaque em canteiros

PLUMAS PELO CAMINHO

Para o paisagista Toni Backes, que costuma utilizar capins ornamentais em seus projetos, o maior diferencial dessas plantas é o seu poder de imprimir um toque silvestre e natural aos mais diversos cenários. “Além de oferecer várias possibilidades de uso no paisagismo, as gramíneas dão um aspecto de leveza ao jardim”, completa. O capim-plumas-de-seda (Pennisetum villosum), por exemplo, confere um acabamento campestre ao caminho de pedras retangulares retratado na foto acima. A planta ainda quebra a monotonia do verde graças ao tom esbranquiçado de suas inflorescências, que parecem iluminar o trajeto.

O capim-plumas-de-seda imprime um visual campestre ao caminho de pedras

Formada por folhas lineares e arqueadas de grande efeito ornamental, a espécie tem aparência delicada e não ultrapassa 60 cm de altura – por isso mesmo é ideal para ladear percursos ou dar acabamento a canteiros. Seja qual for o uso, uma coisa é certa: cultivar o capim-plumas-de-seda é garantia de pontos de luz na paisagem entre o verão e o outono, época em que a planta floresce.

O capim-plumas-de-seda imprime um visual campestre aos caminho de pedras

COMBINAÇÃO CERTEIRA

Se um tipo de capim ornamental já faz diferença no paisagismo, vários deles reunidos são capazes de roubar a cena quando o assunto é originalidade. Para criar combinações agradáveis, vale apostar na mistura de variedades com cores, texturas e volumetrias diversas. Um maciço dourado de cabelos-de-anjo (Stipa tenuissima) (5), por exemplo, pode ficar ainda mais vistoso se ladeado por exemplares de grama-azul (Festuca glauca) (6).

Os exemplares de grama-azul destacam a beleza do maciço de cabelos-de-anjo. A composição contrastante quebra a aridez dos patamares de cimento

No Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal, a composição quebra a aridez do visual formado pelos patamares de cimento. Para quem não dispõe de amplos espaços na área externa, a paisagista Walkíria Fernandes – fã confessa das gramíneas – dá a dica: “Em ambientes menores, é possível cultivar capins ornamentais em vasos”. O resultado fica ainda mais agradável com diversas variedades no mesmo recipiente. É o que acontece no vaso de cerâmica da foto à direita, onde a grama-azul (7) divide espaço com o capim-bronzeado (Carex comans ‘Bronco’) (8), formando um elegante jogo de contrastes.

Vasos preenchidos com diferentes variedades de capins ornamentais são uma solução elegante para pequenos espaços

CANTEIRO QUE PISCA

O capim-pisca-pisca (Miscanthus sinensis ‘Zebrinus’) é a própria originalidade em forma de gramínea. Não bastasse suas folhas serem espigadas – a maioria das outras variedades apresenta lâminas pendentes –, elas ainda apresentam manchas amarelas que intercalam o fundo verde com listras horizontais. O resultado dessa combinação de cores é uma mistura vibrante que salta aos olhos na composição de maciços e canteiros mistos. Outra das características da espécie que a diferencia de plantas de sua família é o hábito de entrar em dormência no inverno.

O produtor Adriano Alves explica: “Entre o final do verão e o início do outono, o capim-pisca-pisca começa a secar gradualmente, até cessar por completo seu desenvolvimento nos meses mais frios”. Nesse período de repouso, Alves recomenda que a espécie seja podada a 5 cm de altura. A medida ajuda a gramínea a crescer com mais vigor a partir da primavera seguinte.

As folhas listradas do capim-pisca-pisca fazem com que a espécie se destaque em canteiros mistos

MACIÇOS VISTOSOS

De tão imponentes, os maciços com exemplares de capim-gigante (Miscanthus sinensis ‘Malepartus’) (9) formaram verdadeiras paredes verdes nas laterais do caminho que percorre a área externa do Museu Calouste Gulbenkian. Dispostas lado a lado, as plantas ampliam a sensação de aconchego para quem percorre o trajeto. A criação da barreira natural foi favorecida pelo porte avantajado da espécie – que, composta por folhas estreitas, compridas e arqueadas, chega a até 2 m de altura.

De aparência extremamente densa e entouceirada, o conjunto das lâminas até parece moldar pompons gigantes pelo jardim. Plantado logo ao lado, o capim-dos-pampas-anão (Cortaderia selloana ‘Pumila’) (10) cria efeito similar. A diferença é que a espécie conta com folhas mais finas e escurecidas e não ultrapassa 1,5 m de altura – nada que comprometa sua popularidade em jardins mundo afora, onde é cultivada isoladamente ou formando grupos e renques sob sol pleno.

Com folhas grandes e formato entouceirado, capim-gigante (9) e capim-dos-pampas-anão (10) parecem formar pompons avantajados ao longo do jardim

COMO UMA ESCULTURA

Em alguns casos, o visual marcante das gramíneas permite que elas assumam o papel de plantas esculturais no jardim. Um exemplo é o robusto capim-dos-pampas (Cortaderia selloana), que atinge até 2,5 m de altura quando florido. Rosas-esbranquiçadas, as inflorescências que surgem entre o verão e o outono mais parecem plumas adornando o topo das hastes florais. O paisagista Marcelo Novaes, que costuma usar a espécie ao longo de caminhos e beirando lagos, como ponto focal, ressalta: “O capim-dos-pampas é uma planta de personalidade forte que não precisa da companhia de outras para se destacar e garante movimento ao paisagismo de grandes espaços”. Como a espécie é bastante rústica, o único cuidado que demanda são regas esporádicas, quando o solo estiver muito seco. Para conservar sua beleza, também vale fazer uma poda drástica por ano, depois que as hastes florais secarem – providência que ajuda a espécie a reunir forças para a próxima florada.

Alto e robusto, o capim-dos-pampas conta com inflorescências plumosas e faz papel de escultural ao longo de caminhos e lagos