Quinoa, linhaça, chia: sucesso no prato, esses e outros grãos e sementes vêm de plantas que podem fazer bonito no jardim, mas muita gente nunca viu
Texto Laura Doubek
Quem faz questão de uma alimentação saudável conhece de cor as propriedades benéficas da linhaça, da chia, da quinoa e de tantos outros grãos e sementes que têm lugar cativo nas dietas funcionais. Acostumada a comprá-los no mercado ou na loja de produtos naturais, no entanto, muita gente não tem a menor ideia das plantas que dão origem a elas – e nem desconfia que algumas delas são donas de uma beleza sem fim, podendo ocupar lugar de destaque no paisagismo e até substituir espécies consagradas.
Considerado o cereal do século 21, a quinoa (Chenopodium quinoa) (1) melhora a memória e ajuda a combater a anemia e os sintomas da TPM nas mulheres. Um cereal tão rico só poderia ser gerado por uma planta igualmente especial: com altura máxima de 2 m, a herbácea, quando florida, chama a atenção de longe por conta do colorido de suas inflorescências. Elas despontam no ápice dos caules e suas cores variam de acordo com o estágio da maturação: quando novas, são róseas, e depois vão amarelando pouco a pouco.
O tremoceiro-amarelo (Lupinus luteus) (2) não fica atrás no quesito florada: é uma herbácea de ciclo anual cujas flores amarelas e diminutas formam uma espécie de espiga. Seu grão, chamado de tremoço, tem alto valor proteico e auxilia na perda de peso, mas é preciso prepará-lo antes de usufruir desses benefícios – quando cru, o tremoço é tóxico por conta da presença de alcaloides. Uma vez cozido e deixado de molho em água salgada, fica no ponto para ser saboreado como tira-gosto.
LUGAR GARANTIDO NO JARDIM
Além das sementes que fazem bem à saúde, e hoje são encontradas em cardápios mundo afora, a chia (Salvia hispanica) (3), a papoula-oriental (Papaver orientale) (4) e o linho (Linum usitatissimum) (5), de onde é obtida a linhaça, têm outro ponto em comum: flores tão belas e delicadas que são usadas para levar mais cor a canteiros nos jardins. Lilases como as da lavanda – as duas espécies pertencem à família das lamiáceas –, as pequenas florzinhas da chia se agrupam em inflorescências espigadas de 10 cm de comprimento e se adaptam sem dificuldades a regiões de clima tropical e subtropical. Quem a cultiva ainda pode usar na culinária as sementes mucilaginosas – elas viram gel quando entram em contato com líquidos – que dão sensação de saciedade.
Outra aliada da dieta que faz bonito nos canteiros é a papoula-oriental. Originária da região do Cáucaso, ela é famosa pelas sementes ricas em ácidos graxos e fibras que auxiliam na digestão. Nos jardins, a espécie anual chama a atenção de longe com suas flores que despontam no início do verão com pétalas em um tom vibrante de vermelho e o centro vinho.
Mais discretas, as flores do linho têm pétalas azul-claras com nervuras azul-escuras, e são ideais para enfeitar pequenos jardins em regiões de clima subtropical árido. As sementes se formam no interior dos frutos e são ricas em ômega-3, óleo que ajuda na prevenção e no tratamento de doenças do coração. Podem ser consumidas puras ou misturadas a cereais ou iogurtes para aumentar o valor nutritivo.
Agora que você já conhece todas essas plantas do bem, é só escolher as que melhor se adaptam à sua região e começar a cultivá-las em um cantinho. Seu jardim – e sua saúde – só têm a agradecer.