03-2026
Orquidário do Villa-Lobos reabre em São Paulo
A intervenção incluiu a recuperação da estrutura e a valorização do projeto original
TEXTO: Aida Lima

A cerimônia de reabertura do orquidário Ruth Cardoso no parque Villa-Lobos reuniu representantes do poder público, da concessionária responsável pela gestão do parque e familiares da antropóloga Ruth Cardoso, que dá nome ao espaço. Segundo Rodrigo Bertho Mathias, CEO da DC Set group, a entrega marca a retomada de um dos símbolos do parque. “Hoje estamos devolvendo esse espaço icônico para a cidade de São Paulo. É um lugar que ficou mais de dez anos fechado e que agora volta a receber o público”, afirmou.

Mathias também destacou o esforço coletivo para viabilizar a requalificação. “Foram vários meses de trabalho e mais de 400 profissionais envolvidos para recuperar este espaço e torná-lo novamente acessível à população”, disse. Ele ressaltou ainda que a visitação seguirá gratuita. “O orquidário continua com entrada gratuita para toda a população de São Paulo.”

A execução do paisagismo ficou a cargo da Floraliz, sob direção do paisagista e viveirista Osvaldo Policarpo Jr. O trabalho envolveu retrofit do paisagismo, reorganização dos maciços e curadoria de espécies brasileiras e exóticas. O orquidário funciona principalmente como um espaço expositivo. Atualmente reúne cerca de 200 exemplares em sistema de exposição rotativa, 27 espécies catalogadas e mais de 50 plantas nativas integradas ao entorno. Estantes treliçadas organizam os vasos e o espaço conta com áreas de permanência com bancos, além de um grande pergolado. O conjunto também incorpora móbiles interativos com informações botânicas sobre as espécies, incluindo nome científico e origem.

Entre as espécies em exposição estão gêneros tradicionais do cultivo ornamental, como Cattleya, Laelia, Miltoniopsis, Oncidium, Brassia e híbridos de Phalaenopsis, além de plantas ornamentais e nativas, como pau-Brasil e bromélias-imperiais.
De acordo com Policarpo Jr., a proposta do projeto foi tornar o espaço mais didático e acessível ao público. “A ideia foi reorganizar o conjunto para que o visitante consiga observar melhor as espécies e entender suas características”, explica. A iluminação cênica, desenvolvida pela arquiteta e paisagista Alice Izumi em parceria com a empresa de iluminação Interlight, também contribui para a experiência visual do espaço. “A iluminação não é apenas um complemento, ela transforma o ambiente”, afirmou. Segundo a profissional, a intenção foi destacar as plantas e também valorizar o desenho delas nas paredes e na estrutura do espaço, criando um efeito visual semelhante a um “papel de parede formado pelas sombras do jardim”.

Durante o evento, Beatriz Cardoso, filha de Ruth Cardoso, destacou o simbolismo da homenagem à antropóloga. Ela lembrou o interesse da mãe pelo conhecimento e pela diversidade cultural. “Ela acreditava na capacidade de transformação da sociedade por meio do conhecimento e do diálogo”, afirmou.

A homenagem à antropóloga também se estende ao universo botânico. Um híbrido intergenérico de orquídea recebeu seu nome. É a Rhynchosophrocattleya Ruth Cardoso, resultado do cruzamento entre Rhyncholaelia, Sophronitis e Cattleya. A flor é representada em uma escultura instalada sobre o pergolado do orquidário.

Para Paulo Bernardes, diretor da Reserva Parques, concessionária responsável pela gestão do parque Villa-Lobos, a reabertura simboliza o resultado da cooperação entre poder público e iniciativa privada. “Estamos devolvendo à cidade um espaço que estava fechado há mais de dez anos e que agora volta como um lugar de educação ambiental e convivência”, disse.

O orquidário passa a integrar o conjunto de melhorias realizadas no parque desde o início da concessão, que já soma mais de R$ 120 milhões em investimentos em infraestrutura e equipamentos.
SERVIÇO
Orquidário Ruth Cardoso – Parque Villa-Lobos
De quarta a domingo
Das 10h às 18h
Entrada gratuita
@villalobosparque