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05-2026

Burle Marx em movimento revela o poder das plantas no desenho das cidades

A nova exposição do mestre Burle Marx: Plantas em Movimento afirma o paisagismo como linguagem viva e coloca as espécies vegetais no centro da criação artística e urbana. O Museu Judaico de São Paulo recebe uma importante mostra do grande mestre do paisagismo brasileiro que reposiciona o olhar sobre a obra de Roberto Burle Marx ao destacar aquilo que sempre esteve no coração de seu trabalho: as plantas. Com curadoria de Isabela Ono e Guilherme Wisnik, a exposição propõe um recorte preciso e ao mesmo tempo revelador, reunindo desenhos, fotografias, filmagens e documentos do acervo do Instituto Burle Marx.

Mariany Fernandes_Divulgação Museu Judaico de SP
Mariany Fernandes / Divulgacao Museu Judaico de SP

Mais do que apresentar projetos emblemáticos, a mostra evidencia o paisagismo como um sistema dinâmico, no qual a vegetação estrutura formas, ritmos e experiências. Em vez de cenário, as plantas surgem como protagonistas de composições que se transformam com o tempo, influenciadas por clima, crescimento e interação com o espaço urbano. É uma visão que desafia a ideia de paisagem estática e aproxima o visitante de uma arte em permanente mutação.

Buritis. Divulgação Burle Marx & Cia Ltda

Ao percorrer a exposição, fica clara a construção de um vocabulário vegetal próprio. Espécies recorrentes aparecem em diferentes contextos, combinadas de maneiras que revelam observação atenta dos biomas brasileiros e uma compreensão sofisticada da relação entre natureza e cultura. Esse repertório não nasce isolado. Ele se desenvolve a partir de expedições pelo território nacional e do diálogo com botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, reforçando o caráter coletivo do trabalho de Burle Marx.

Mariany Fernandes_Divulgacao Museu Judaico de São Paulo

A atualidade desse legado salta aos olhos. Em um momento marcado por crises ambientais e urbanas, sua produção aponta caminhos concretos para cidades mais verdes, inclusivas e sensíveis à biodiversidade. A valorização de espécies nativas e a integração entre diferentes ecossistemas mostram que o paisagismo pode ir além da estética e atuar como ferramenta de transformação social e ambiental.

Perspectiva Parque do Flamengo 1969 / Burle Marx & Cia Ltda

Filho de imigrante europeu, Burle Marx desenvolveu uma abordagem aberta à diversidade, perceptível na convivência entre espécies de origens distintas em suas composições. Essa mistura se traduz em uma linguagem que reflete deslocamentos, adaptações e reinvenções constantes, tanto da natureza quanto da própria sociedade brasileira.

Burle Marx & Cia Ltda

Sem seguir uma ordem cronológica rígida, Plantas em Movimento convida o público a pensar o paisagismo como prática crítica e contemporânea. A exposição reforça que desenhar com plantas é também propor futuros possíveis, nos quais a natureza deixa de ser pano de fundo e passa a ocupar o centro das decisões urbanas.

Em cartaz até 2 de agosto, a mostra oferece uma oportunidade rara de compreender como arte, botânica e cidade podem coexistir de forma mais equilibrada. E faz isso com uma elegância silenciosa, como quem lembra que talvez a solução estivesse sempre ali, crescendo devagar, folha por folha.

SERVIÇO

Burle Marx: Plantas em Movimento
Período expositivo: 30 de abril a 2 de agosto
Local: Museu Judaico de São Paulo
Endereço: Rua Martinho Prado, 128 – São Paulo, SP
Funcionamento: Terça a domingo, das 10 horas às 18 horas (última entrada às 17h30)
Ingresso: R$24,00 (inteira) | R$12,00 (meia) | sábados gratuitos
Acesso para pessoas com mobilidade reduzida
@museujudaicosp

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