06-2026
Conhecer para preservar: um jardim que revela a riqueza da Mata Atlântica

A conservação começa pelo encantamento. Com essa convicção, a arquiteta paisagista Pam Faccin criou este projeto com mais de 100 espécies ornamentais nativas da Mata Atlântica distribuídas em um percurso de 275 m². A ideia é promover uma experiência de descoberta. O jardim propõe um olhar mais atento para a vegetação brasileira e convida à compreensão da complexidade de um dos biomas mais ricos e ameaçados do país. Em uma composição naturalista, o jardim reproduz diferentes formações da Mata Atlântica e reforça a importância de aproximar as pessoas da flora nativa como caminho para a preservação.
“A experiência busca despertar o entendimento sobre a Mata Atlântica. Depois, vem a conexão emocional com o bioma”, afirma Pam.

O jardim foi concebido como uma jornada de aproximação gradual. Logo na entrada, a composição revela a diversidade da flora nativa brasileira. Entre as espécies que estruturam o projeto estão a caixeta (Tabebuia cassinoides), também conhecida como ipê-do-brejo ou pau-de-viola, a paineirinha-vermelha (Spirotheca passifloroides) e as palmeiras palmeirinha-prateada (Syagrus hoehnei) e aricuriroba (Syagrus schizophylla). O destaque fica por conta da begônia-luxuriana (Begonia luxurians), espécie incomum, mas extremamente ornamental, que mais se parece com uma palmeira do que com uma begônia.



Forrando os canteiros, estão as ruelia-veludo (Ruellia schottiana) e ruelia-pink (Ruellia subsessilis), enquanto espécies frutíferas como a grumixama-anã (Eugenia itaguahiensis) e o cambuí-vermelho (Myrciaria tenella) reforçam a diversidade do conjunto. Um piso drenante assentado sem o uso de cimento, cria um mosaico hexagonal que conduz o olhar e o caminhar ao longo de todo o percurso. A solução permite a infiltração da água da chuva no solo e contribui para a permeabilidade da área. A escolha, porém, não foi apenas funcional. O desenho hexagonal e a paleta de cores do piso foram pensados para valorizar a arquitetura histórica do edifício que serve de cenário ao jardim.

“As cores do piso não são por acaso. Elas foram inspiradas nos mesmos tons dos edifícios tombados de todo o entorno”, explica.
O projeto também responde aos desafios de implantação em uma área com patrimônio preservado. Sem interferir no solo original, toda a estrutura foi instalada sobre uma camada de proteção com manta bidim. Mas é a vegetação que conduz a narrativa. Em vez de reunir espécies isoladas, Pam construiu uma paisagem inspirada nas diferentes fisionomias da Mata Atlântica. Ao longo do trajeto, áreas com bromélias e plantas típicas de restinga contrastam com trechos que remetem às formações serranas, marcados por espécies de sombra e folhagens exuberantes.

“É uma composição naturalista que a gente não está muito acostumado a ver no Brasil. São mais de 100 espécies, todas nativas da Mata Atlântica do Sudeste brasileiro”, destaca.
A proposta carrega ainda uma dimensão prática. Todas as espécies utilizadas foram produzidas por viveiros especializados, demonstrando que a adoção de plantas nativas em projetos paisagísticos não é uma ideia distante, mas uma alternativa viável e acessível.
“Aqui não tem nenhuma utopia. Estamos trabalhando diretamente com produtores para que muitas das plantas deste jardim possam ser encontradas em viveiros e estejam disponíveis para compra”, afirma a paisagista.
O caráter educativo aparece de forma explícita no “corredor da biodiversidade”, um trecho com painel que apresenta imagens da flora e da avifauna brasileiras. A instalação funciona como uma extensão da proposta do jardim, reforçando a relação entre conhecimento e conservação. “Eu batizei este jardim de Conhecer para Preservar porque você só preserva, você só cuida do que conhece”, resume Pam.



Nascida na Amazônia mato-grossense e formada em arquitetura em São Paulo, Pam Faccin construiu sua trajetória unindo a vivência da floresta ao urbanismo. Em seus projetos, o paisagismo naturalista surge como ferramenta para reconectar as pessoas aos ecossistemas brasileiros e valorizar a identidade ecológica de cada lugar.
Onde visitar
O jardim Conhecer para Preservar, assinado por Pam Faccin, integra a CASACOR SP 2026 e pode ser visitado até 9 de agosto no Parque da Água Branca, em São Paulo.
Serviço
CASACOR SP 2026
Parque da Água Branca
Rua Dona Ana Pimentel, 37 – São Paulo (SP)
Até 9 de agosto de 2026
Terça a domingo e feriados, das 11h às 22h
Entrada até 20h15