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07-2026

Os segredos de um jardim cheio de vida

Variados   /  
Divulgação

Mais do que um espaço bonito, um jardim pode ajudar a recuperar a biodiversidade e fortalecer os ecossistemas urbanos. Neste projeto, a paisagista Maria Fernanda Marques mostra que o equilíbrio entre solo, plantas, polinizadores e animais do entorno é um dos caminhos para criar ambientes mais vivos e saudáveis. Para a paisagista, um dos maiores segredos para o sucesso de um jardim começa pelo estudo do solo. Segundo ela, práticas agroecológicas, como o uso de cobertura orgânica, compostagem e a redução de produtos químicos, estimulam a vida dos microrganismos e favorecem a ciclagem natural de nutrientes, criando condições para que as plantas se desenvolvam com mais saúde e resistência. Um solo vivo sustenta toda a cadeia do jardim e reduz a necessidade de intervenções ao longo do tempo.

Aida Lima

Outro princípio do projeto é o uso maciço de espécies nativas brasileiras ou naturalizadas. Adaptadas ao clima e ao solo da região, elas exigem menos manutenção, desenvolvem-se com mais vigor e oferecem alimento e abrigo para aves, borboletas, abelhas e inúmeros insetos benéficos, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema e para o restabelecimento das relações naturais entre fauna e flora.

Com medinila, maranta-barriga-de-sapo, as nativas ruélias e outras folhagens sob a copa de um pau-Brasil, Maria Fernanda cria uma rica composição em um jardim biodiverso e cheio de vida

Entre os destaques do jardim estão as esculturas do artista João Machado, que funcionam como moradias para abelhas nativas sem ferrão. Além de valorizar o artesanato brasileiro, elas chamam a atenção para a importância desses polinizadores na produção de flores, frutos e sementes.

As casinhas para abelhas nativas sem ferrão são obras de arte criadas pelo artista João Machado. Foto: Aida Lima

Maria Fernanda procura incorporar esse recurso em seus projetos, incentivando a presença das abelhas, que podem aumentar significativamente a polinização de um jardim e, dependendo da espécie, ainda produzir mel para consumo. O espaço também recebeu os criativos insect houses, ou hotéis de insetos, construídos artesanalmente com materiais naturais. Ainda pouco comuns nos jardins brasileiros, esses abrigos oferecem refúgio para diversas espécies que atuam no controle biológico de pragas e na polinização, favorecendo o equilíbrio ambiental sem a necessidade de produtos químicos.

Casinhas de insetos oferecem abrigo para visitantes benéficos e ajudam a manter o equilíbrio do jardim. Foto: Aida Lima

Maria Fernanda comemora o resultado do projeto. “Estou muito feliz com esse jardim, que está inserido em meio a uma imensa área de mata nativa. Em pouco tempo, ele passou a receber a visita de saguis, pássaros, abelhas e uma diversidade de insetos, sinal de que o bioma voltou a pulsar.”

Além das plantas, o projeto reúne peças produzidas por artistas e artesãos brasileiros, reforçando a proposta de valorizar materiais naturais, técnicas tradicionais e a biodiversidade do país. O resultado é um jardim que convida à contemplação e mostra que o paisagismo também pode ser uma ferramenta de educação ambiental.

Foto: Aida Lima

Sobre Maria Fernanda Marques

A frente da MFM Paisagismo e há mais de duas décadas, a Maria Fernanda Marques desenvolve projetos de paisagismo ecológico e regenerativo, unindo ciência do solo, flora brasileira e arte. Em sua primeira participação solo na CASACOR SP, assina o jardim Da Terra ao Solo, a maior área externa da mostra, com mais de 3 mil plantas nativas distribuídas em mais de 70 espécies. O jardim pode ser visitado até 9 de agosto, no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Serviço

CASACOR SP 2026
Parque da Água Branca
Rua Dona Ana Pimentel, 37 – São Paulo (SP)
Até 9 de agosto de 2026
Terça a domingo e feriados, das 11h às 22h
Entrada até 20h15

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