05-2026
Em dois anos, escola de São Paulo cria mini floresta e vira exemplo de transformação urbana
Em meio aos prédios do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, uma escola pública mostra que recuperar áreas verdes dentro das cidades pode ser mais simples — e mais transformador — do que muita gente imagina.
O que antes era apenas um gramado com uma única árvore, hoje abriga uma mini floresta de Mata Atlântica com trilhas, sombra, pássaros, borboletas e mais de 600 árvores nativas. A transformação aconteceu dentro da Escola Estadual Professor João Dias da Silveira, que se tornou um exemplo de como iniciativas ambientais podem impactar diretamente o cotidiano escolar e a relação dos estudantes com a natureza.

Em apenas dois anos, a área de 415 metros quadrados recebeu cerca de 630 mudas de espécies nativas como pitanga, uvaia, goiaba, grumixama, ipê-amarelo, pau-brasil, jatobá e jerivá. O projeto foi implantado a partir de uma parceria entre a escola e a organização sem fins lucrativos Formigas-de-Embaúba, que atua com educação ambiental e climática através da criação de mini florestas urbanas.
Mais do que plantar árvores, a iniciativa transformou completamente a dinâmica do espaço escolar.
Segundo a vice-diretora Andreia Rodrigues Caldeira Correa, o local antes era praticamente inutilizado pelos alunos. Hoje, se tornou ponto de encontro, área de convivência e até sala de aula ao ar livre.
“A gente pode dizer que em dois anos é possível criar uma floresta. A temperatura no local é muito mais agradável e o ambiente da escola melhorou bastante na época de calor”, relata.
O impacto vai além do conforto térmico. A presença de aves, insetos e outros pequenos animais passou a fazer parte da rotina da escola, reforçando a conexão dos estudantes com a biodiversidade urbana. Até um jacu já apareceu entre as árvores recém-formadas.
Parte dos alunos participou diretamente do plantio das mudas e acompanhou o crescimento da floresta desde o início do projeto. Para muitos deles, a experiência também despertou um novo olhar sobre preservação ambiental e pertencimento.
“Você não imagina que a floresta vai crescer tão rápido. Quando voltamos das férias, as árvores já estavam enormes”, conta o estudante Pedro Almeida Marques, hoje na 3ª série do Ensino Médio.

A mini floresta foi implantada utilizando o método Miyawaki de restauração ecológica, técnica baseada no plantio adensado de espécies nativas para acelerar o desenvolvimento da vegetação. O processo inclui preparação do solo, adubação orgânica e escolha estratégica das espécies.
Mas talvez o principal resultado esteja justamente no envolvimento da comunidade escolar. Os próprios alunos passaram a cuidar mais do espaço, utilizar a área nos intervalos e incorporar a floresta às atividades pedagógicas. Neste ano, por exemplo, estudantes do Ensino Médio estudaram biomas percorrendo a trilha criada dentro da área reflorestada.
A iniciativa também reforça um debate cada vez mais urgente: o papel das escolas na construção de cidades mais verdes, resilientes e preparadas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Enquanto muitas áreas urbanas sofrem com excesso de concreto, ilhas de calor e falta de arborização, projetos como esse mostram que pequenos espaços podem gerar impactos ambientais, sociais e educacionais significativos.
Desde 2023, a Formigas-de-Embaúba já implantou mini florestas em nove escolas estaduais paulistas, com cerca de 7.200 árvores plantadas e mais de 3 mil estudantes envolvidos. A expectativa agora é expandir o modelo para novas unidades da capital e da Grande São Paulo.
No Tatuapé, a floresta continua crescendo — junto das próximas gerações de estudantes que agora enxergam aquele espaço não apenas como parte da escola, mas como parte da própria história.