05-2017
Eu mal abria a porta de casa e já avistava a haste fina e quebradiça da falenópsis a me espreitar. Ela era minha filha única e crescia disputando cada centímetro nda janela da quitinete. Eu chegava da faculdade e ia até meu precioso “jardim” repetir a rotina criada meses atrás: inspecionava as folhas, calculava o tempo que faltava para as raízes se formarem, buscava qualquer sinal de haste floral…
05-2017
E lá tinha uma vida inteira pela frente: era bela, saudável, acabara de ser mãe pela primeira vez. Parecia feliz na casa nova. Não faltava nada para Vanda, nem amor, nem admiração. Todos os que iam vê-la se apaixonavam por sua presença luminosa, colorida e delicada e me davam os parabéns por ter uma filha tão especial…
05-2017
Muito se fala sobre o poder que o jardim tem sobre as pessoas. Mas e as pessoas, qual é o poder delas sobre o jardim? Já vi lugares que, de tão geometricamente alinhados, arrancariam palmas dos perfeccionistas, enquanto outros levam tão a sério o direito das plantas de ir e vir que deixam dúvidas sobre se em meio àquela selva realmente existe um jardim. Os demais ficam em algum lugar entre esses dois extremos…
05-2017
A receita era de família: um maço de trevos bem picados, água o quanto baste, dois punhados de terra, um caramujo desavisado e, voilà!, estava pronto o bolinho. De barro, é claro, como devem ser os bons assados infantis. O trevo ia da boca pro barro e, eventualmente, de volta pra boca, carregando consigo a crocância de uns grãos de areia…