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09-2026

Dia da Árvore: por que elas são ainda mais importantes hoje

Imagem: Edson Grandisoli_Wikimedia Commons_Castanheira (Bertholletia excelsa)

Há mais de um século, uma festa realizada no interior de São Paulo chamava a atenção para a importância de plantar e conservar árvores. De lá para cá, muita coisa mudou. Mas uma questão permanece atual: quanto mais conhecemos o papel das árvores no equilíbrio dos ecossistemas, mais evidente se torna a importância de protegê-las.

Celebrado em 21 de setembro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, o Dia da Árvore tem uma história que começou em Araras (SP), em 1902. Naquele ano, o naturalista sueco Alberto Löfgren e o agrônomo João Pedro Cardoso participaram da
organização da primeira Festa das Árvores realizada no país. O evento reuniu cerca de 600 crianças e contou com o plantio de 242 mudas. A iniciativa foi inspirada no Arbor Day, celebração criada nos Estados Unidos.

A comemoração ganhou importância ao longo das décadas e, em 1965, foi instituída oficialmente em todo o território nacional pelo Decreto nº 55.795. A escolha de diferentes períodos do ano considerou as características climáticas das regiões brasileiras. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a celebração ficou associada ao início da primavera, em 21 de setembro. Mais de 60 anos depois, a data continua sendo uma oportunidade para olhar para as árvores de outra maneira. Elas não são apenas parte da paisagem ou símbolos de conservação ambiental. São componentes fundamentais dos ecossistemas e prestam serviços que estão diretamente relacionados à qualidade de vida nas cidades e no campo.

O que mudou nas últimas duas décadas?

Há 20 anos, a importância de conservar árvores e florestas já era reconhecida, principalmente pela relação com a biodiversidade, a proteção dos recursos naturais e o equilíbrio dos ecossistemas. As mudanças climáticas também já faziam parte dos estudos
e dos alertas científicos. A grande diferença é que, hoje, seus efeitos se tornaram muito mais presentes no cotidiano.

Alexandre Martins Pereira _Wikimedia Commons

Ondas de calor mais intensas, períodos de seca, chuvas fortes e outros eventos extremos colocam em evidência uma questão que antes podia parecer distante: como preparar cidades e ecossistemas para um clima em transformação?
Nesse cenário, o papel das árvores ganhou uma nova dimensão. Além de proteger a biodiversidade, elas passaram a ser cada vez mais reconhecidas como parte da infraestrutura natural que ajuda a enfrentar esses desafios. Nas cidades, contribuem
para amenizar o calor por meio da sombra e da evapotranspiração. Nas florestas, participam do ciclo da água, armazenam carbono, protegem o solo e oferecem condições para a sobrevivência de inúmeras espécies.

Ao mesmo tempo, a pressão sobre os ambientes naturais continua. O desmatamento e a degradação das florestas reduzem justamente a capacidade desses ecossistemas de prestar serviços ambientais em um momento em que eles se tornam cada vez mais necessários. Ou seja, a importância das árvores não mudou. O que mudou foi a dimensão da nossa percepção sobre ela — e a urgência de conservar esses ambientes.

Árvores que ajudam a equilibrar o clima

Em um cenário de mudanças climáticas, a presença das árvores ganha ainda mais relevância. Em áreas urbanas, a sombra das copas e a evapotranspiração ajudam a amenizar o calor.

Em florestas e outros ecossistemas, a vegetação participa do ciclo da água, influencia a umidade e contribui para a regulação das condições ambientais. As árvores também retiram dióxido de carbono da atmosfera por meio da fotossíntese e armazenam parte desse carbono em sua biomassa e no solo. As florestas, portanto, participam do ciclo global do carbono e têm papel importante na mitigação das mudanças climáticas — embora a conservação das florestas não substitua a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Água, solo e biodiversidade

O papel das árvores vai muito além do carbono. Suas raízes ajudam a estabilizar o solo e podem favorecer a infiltração da água, enquanto a cobertura vegetal reduz o impacto direto das chuvas sobre o terreno e contribui para diminuir a erosão. As florestas
também participam da regulação dos fluxos de água e da manutenção da qualidade dos recursos hídricos.

Antonio Campoy – Flickr

E existe ainda uma dimensão que nem sempre percebemos: cada árvore pode abrigar uma verdadeira comunidade de seres vivos. A copa, o tronco, as raízes, as flores, os frutos e até a madeira em decomposição oferecem alimento, abrigo e locais de reprodução para diferentes espécies. As florestas concentram grande parte da biodiversidade terrestre. Por isso, quando uma árvore é retirada, a perda não se resume à sombra que desaparece. Dependendo do ambiente e da espécie, toda uma rede de relações ecológicas pode ser afetada.

Uma história muito mais antiga que a nossa

As árvores também guardam uma perspectiva impressionante sobre o tempo. As primeiras plantas com características arbóreas surgiram centenas de milhões de anos antes da existência do ser humano moderno. Ao longo desse período, as plantas contribuíram para transformar os ecossistemas terrestres e ajudaram a criar as condições que permitiram a evolução de inúmeras formas de vida.

Angelim-vermelho de 88,5 metros de altura – Projeto árvores Gigantes do Brasil

E nossa própria história está profundamente ligada a elas. Alimentos, fibras, madeira, combustíveis, papel, medicamentos e inúmeras matérias-primas têm origem direta ou indireta nas plantas. As árvores fazem parte da nossa alimentação, da construção, da indústria e da cultura há milhares de anos.

Elas são mais complexas do que parecem

A ciência também vem revelando comportamentos surpreendentes. Pesquisas investigam, por exemplo, como as árvores respondem a ataques de herbívoros, à falta de água e a outros estímulos ambientais. Em situações de estresse hídrico, plantas podem produzir emissões acústicas ultrassônicas associadas a processos físicos em seus tecidos — sons que não são percebidos pelo ouvido humano. Isso não significa, porém, que as árvores “gritem” da mesma maneira que um animal.


Cientistas medem a circunferência do Angelim Vermelho, que tem 88,5 metros de altura. Observe a casca descamando,
o que é típico dessa espécie.

Também existem estudos sobre as relações entre árvores, fungos e outros organismos do solo, mostrando uma rede complexa de interações subterrâneas. Algumas das interpretações mais populares sobre árvores que “conversam” ou “cuidam de seus filhos”, entretanto, ainda são objeto de investigação e debate científico. A natureza é fascinante sem precisar ser transformada em uma história antropomórfica.

Imagem Wikimedia Commons

Talvez essa seja uma das melhores razões para celebrar o Dia da Árvore: quanto mais aprendemos sobre elas, mais percebemos que ainda há muito a descobrir.
Hoje, a data pode ser mais do que uma lembrança de plantar uma muda. É um convite para reconhecer as árvores como parte essencial da infraestrutura ecológica do planeta — nas florestas, nas áreas rurais e também dentro das cidades.
Proteger árvores adultas, conservar florestas, restaurar áreas degradadas e planejar melhor a arborização urbana são ações que ajudam a construir ambientes mais preparados para os desafios ambientais das próximas décadas.
No Dia da Árvore, vale olhar para uma delas e lembrar: aquilo que parece imóvel está, na verdade, participando de uma enorme rede de vida, água, carbono, solo e biodiversidade.

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