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09-2026

Mostra de Paisagismo da Expoflora traz ideias para viver mais perto da Natureza

Variados   /  

O paisagismo pode tornar a casa mais bonita, mas seu papel não termina aí. Jardins também podem criar lugares para descansar, receber os amigos, dividir o espaço com os animais de estimação, recuperar memórias e até proporcionar ambientes com menos estímulos sensoriais. É essa relação entre plantas e vida cotidiana que ganha espaço na Mostra de Paisagismo e Decoração da Expoflora 2026, em Holambra, no interior de São Paulo. São 18 ambientes criados por paisagistas, arquitetos, designers, engenheiros agrônomos e artistas. Em propostas bastante diferentes, flores e folhagens dividem espaço com arquitetura, decoração, arte, água, luz e materiais naturais. Além da inspiração, há soluções que podem ser levadas para casa. Jardins verticais, pisos drenantes, irrigação por gotejamento, reaproveitamento de materiais, espécies adequadas a animais de estimação e maneiras de cultivar em espaços pequenos estão entre as ideias apresentadas.

Um jardim para pessoas e pets

Carla Dadazio (arquiteta e paisagista). Fotos: Divulgação

Um dos projetos que traduz bem essa mudança na maneira de pensar o jardim é Natureza Compartilhada, da arquiteta e paisagista Carla Dadazio, do Studio Arkhe. O espaço foi criado para mostrar que pessoas e animais de estimação podem utilizar o mesmo jardim com conforto e segurança. A seleção das plantas prioriza espécies não tóxicas para cães e gatos. Mais de 100 bromélias e cerca de 200 vasos de calateias aparecem ao lado de noranteas, palmeiras, ravenalas, helicônias, cúrcumas, marantas, carnívoras e plantas aquáticas entre outras espécies. Há também pequenos vasos com aveia destinados aos animais, além de fontes, áreas de descanso, comedouros e bebedouros. Nas áreas de permanência, os materiais são laváveis e de manutenção simples, enquanto o piso drenante favorece a absorção da água da chuva. Mais do que criar um jardim pet friendly, o projeto traz uma boa reflexão para quem planeja uma área verde em casa: antes de escolher as plantas, vale pensar em quem utilizará aquele espaço e de que maneira.

A convivência também conduz outros projetos da mostra. Em Entre Brasa e Brisa, de Fátima Regina de Souza e Maria Fernanda Padovese, piscina, pergolado, churrasqueira, fogo de chão e rede recuperam a ideia dos quintais onde a família se reunia em torno da comida e da conversa.

Fátima Regina de Souza e Maria Fernanda Padovese

Entre Pausas, de Isabela Perin Corbo, Luiz Henrique Coelho de Faria, Leandro de Pádua Russo e Edson Farias, transforma a área externa em lugar para desacelerar no fim do dia. Spa, variados canteiros com folhagens e flores em vasos, mesa para refeições e sala de estar compõem o espaço.

Jardim Entre Pausas, de Isabela Perin Corbo, Luiz Henrique Coelho de Faria, Leandro de Pádua Russo e Edson Farias

No Ambiente Dopamina, de Raquel Cury, Ingrid Morato e Maurício Mello, uma elegante mesa decorada sob uma pérgola de madeira é o canto de destaque de um jardim tropical pensado para refeições, conversas e momentos longe das telas. Mais de 160 plantas, entre marantas, estrelítzias, bromélias, helicônias, samambaias e filodendros, envolvem a área de convivência.

Jardim Dopamina, de Raquel Cury, Ingrid Morato e Maurício Mello

Jardins que acolhem e estimulam os sentidos

Nem todo jardim precisa provocar os mesmos estímulos. O Refúgio, de Danilo Gürtler e Gisele Villa, parte justamente dessa percepção ao combinar paisagismo e neuroarquitetura em um espaço pensado para oferecer menor carga sensorial, com atenção especial às pessoas no espectro autista. Iluminação difusa, cores suaves, tecidos leves, vegetação e água em movimento ajudam a criar uma atmosfera mais protegida. Uma pérgola com tecido de voal funciona como espaço de descompressão e os móveis de formas envolventes criam pequenos locais de acolhimento. Palmeira-areca, aspargo, costela-de-Adão, samambaia e antúrio formam diferentes alturas e texturas. Junto ao lago, papiros e plantas de folhas grandes ajudam a integrar água e jardim. O projeto chama a atenção para aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano no planejamento de uma área verde. Luz, sons, aromas, movimento, vento e texturas também interferem na maneira como experimentamos um jardim.

O Santuário Azure, de Cléia e Orpheu Thomazini conta com mais de 700 plantas que cercam uma sala de estar ao ar livre e área de banho em que o verde, o branco e o azul se destacam. SunPatiens, palmeiras-ráfis, mandevilas, xanadus, zamioculcas e outras espécies formam a composição.

Cléia e Orpheu Thomazini

No Jardim Mandala Florida, da artista plástica Marisa Trippia, a experiência sensorial encontra a arte. Uma mandala formada por 250 vasos de kalanchoes dobrados organiza o espaço, que reúne ainda SunPatiens, palmeiras, bromélias, peperômias, costelas-de-Adão e orquídeas.

Jardim Mandala Florida, de Marisa Trippia

Arte e vegetação também se misturam nos Jardins das Mil e Uma Flores, de Francisco Suelo. Cerca de mil plantas, entre antúrios, bromélias, orquídeas, calateias, samambaias, palmeiras e espécies aromáticas, criam uma composição marcada por flores e folhagens combinadas por cores e texturas.

O paisagista Francisco Suelo

Quando o jardim também conta histórias

Plantas podem carregar lembranças, tradições e conhecimentos transmitidos entre gerações. Essa relação aparece de maneira especialmente evidente no Jardim da Memória Afro-Brasileira, de Denise Valêncio e Tainã Dorea. O projeto homenageia mulheres negras que preservaram e transmitiram conhecimentos relacionados às plantas, à alimentação, ao cuidado e à proteção. Alecrim, hortelã e lavanda aparecem em uma área dedicada às plantas medicinais, ao lado de plantas alimentícias não convencionais. Outro trecho reúne espécies associadas à proteção, enquanto portões de ferro, cadeira de balanço, vasos, flores, fotografias e outros objetos recuperam referências às antigas varandas das avós.

As paisagistas Denise Valêncio e Tainã Dorea.

As memórias das casas de outros tempos também inspiram história, afeto e propósito, de Neide Tobias. Taipa de pilão, telhas cerâmicas, janelas pintadas com tinta à base de barro, cadeira de balanço e rede ajudam a reconstruir a atmosfera de uma varanda de casa de campo. No jardim aparecem crótons, estrelítzias, bambu-mossô, filodendros, bromélias, calateias, moreias e costelas-de-Adão.

Espaço História, afeto e propósito, da paisagista Neide Tobias

No Café ao ar livre, das irmãs Stellamaris e Ester Pezotti, a história familiar com o cultivo de café chega ao jardim. Mudas de cafeeiro entram na composição e troncos retirados durante a renovação da lavoura são reaproveitados em um mural. Carretéis que seriam descartados também ganham nova função como mesas.

Referências históricas aparecem em Nos Jardins do Rei, de Fernando Mattos e Daniela Inácio Moreno. Inspirado nos jardins formais franceses, o projeto utiliza esculturas e plantas dispostas em técnicas de repetição com lavandas, buxinhos e diferentes tipos de fícus, além de frutíferas entre as plantas escolhidas, misturando referências europeias e brasileiras.

Projeto Nos Jardins do Rei, de Daniela Inácio Moreno (designer de interiores) e Fernando Mattos (paisagista)

Verde que cabe em diferentes espaços

Um dos desafios mais comuns para quem deseja cultivar plantas é a falta de espaço. Alguns projetos da mostra mostram que metros quadrados limitados não precisam significar pouca vegetação. Entre Cores e Folhagens, de Neide Tobias, parte de uma pequena construção em contêiner cercada por jardim. Cerca de 400 SunPatiens, além de crótons, íris-da-praia, jasmim-estrela e outras folhagens, mostram como explorar cores e volumes em uma área compacta. Uma parede vegetal aproveita a superfície vertical e o pergolado cria sombra na área externa. O piso drenante permite a absorção da água da chuva, solução que pode ser considerada também em quintais e corredores laterais.

A paisagista Neide Tobias

Em Jardim da Chegada, de Fátima Regina de Souza e Maria Fernanda Padovese, o foco está em uma área muitas vezes esquecida no paisagismo residencial: a entrada da casa. Oliveira, pitangueira, maranta-charuto e costela-de-Adão aparecem junto a um jardim vertical, mostrando como a vegetação pode fazer parte da fachada e da recepção.

Fátima Regina de Souza (designer de interiores e paisagista) e Maria Fernanda Padovese (arquiteta e paisagista)
Painel de aço corten com o paisagismo de entrada

Para quem mora em apartamento, a Varanda Tropical, de Yully Hollowatj e Barbara Ortiz, oferece referências ainda mais diretas. O projeto reúne por volta de 137 plantas para criar a sensação de um jardim tropical mesmo com pouca profundidade disponível para o plantio. Vasos leves ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a laje e recebem uma mistura aerada de terra, areia, substrato e vermiculita. A irrigação automatizada por gotejamento direciona a água às plantas e ajuda a diminuir o desperdício. Entre as espécies utilizadas está a palmeira-de-Petrópolis, nativa do Brasil, acompanhada de jasmim-manga, estrelítzia-augusta, clúsia, fícus-lirata, maranta-zebrina, filodendro e outras folhagens.

Já o Ateliê Flor&Ser, de Fabiana Vieira, Fernando Comparoni e Raissa Comparoni, integra varanda, quintal e área interna em um ateliê botânico onde plantas convivem com arte e espaços destinados à leitura e à criação. Ervas aromáticas acrescentam perfume, enquanto jardim vertical, irrigação e manejo da água mostram que a manutenção precisa ser considerada desde o planejamento.

Fernando Comparoni (engenheiro agrônomo e paisagista), Fabiana Vieira (paisagista) e Raissa Comparoni (artista visual)

O que existe por trás de um jardim

Um jardim pronto pode parecer espontâneo, mas há planejamento por trás da escolha e da posição de cada planta. O Atelier do Paisagista, de Cléia e Orpheu Thomazini, leva justamente esse processo para dentro da mostra. Bancada, projetos, ferramentas, materiais e sistemas de irrigação apresentam etapas que normalmente desaparecem quando a obra termina. Reuso da água e pisos drenantes também fazem parte das soluções apresentadas. Do lado de fora, mais de 600 plantas formam o paisagismo. Costelas-de-Adão, estrelítzias-gigantes, fícus, guaimbês, bambu-mossô, orquídeas, xanadus, zamioculcas e mandevilas estão entre as espécies utilizadas.

Em O Poder do Verde, de Neide Tobias e Carla Dadazio. O projeto apresenta dois espaços com a mesma arquitetura, mobiliário e materiais, mas diferentes usos da vegetação. Em um deles, antúrios, SunPatiens, filodendros, aspargos, crótons, calateias, estrelítzias, fícus e jasmim-manga criam diferentes alturas, volumes e texturas num espaço envolvido por vegetação. No outro, o verde aparece de forma mais pontual, deixando o mobiliário e a arquitetura em maior evidência. A proposta deixa claro como a presença das plantas pode ser dosada de acordo com o espaço, a rotina e o efeito desejado. Poucos exemplares bem posicionados e foco na decoração podem marcar pontos de interesse sem ocupar toda a área disponível.

Serviço

Mostra de Paisagismo e Decoração da Expoflora 2026
Quando: até 27 de setembro de 2026, às sextas, sábados e domingos
Horário: das 9h às 19h
Onde: Parque da Expoflora, Holambra (SP)
Informações: www.expoflora.com.br
Ingressos: www.expofloratickets.com.br

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