10
07-2026

Vai à Avenida Paulista? Descubra as obras de Burle Marx em uma agradável caminhada

Variados   /  

A Avenida Paulista costuma ser lembrada por seus museus, centros culturais e arranha-céus. Poucos visitantes sabem, porém, que ela também guarda parte da história de um dos maiores paisagistas do século XX. Roberto Burle Marx nasceu na própria avenida, deixou ali alguns de seus projetos mais elegantes e ajudou a demonstrar que o paisagismo moderno poderia se integrar com a arquitetura e transformar a experiência da cidade.

O roteiro pode ser feito inteiramente a pé, aproveitando que aos domingos ela é fechada para carros. Ao longo do percurso, você conhecerá desde o local onde Burle Marx nasceu e jardins bem interessantes. Simbora?

Parque Prefeito Mário Covas

Onde nasceu Roberto Burle Marx
Endereço: Avenida Paulista, 1853 – Bela Vista

O Parque Prefeito Mário Covas ocupa o terreno onde existia a antiga Vila Fortunata, residência da família Burle Marx. Foi nesse casarão que Roberto Burle Marx nasceu, em 4 de agosto de 1909, permanecendo ali até a mudança da família para o Rio de Janeiro, em 1912. A casa foi demolida em 1972 e, décadas mais tarde, o terreno deu lugar ao parque inaugurado em 2010.
Embora esse seja um fato bem documentado na biografia do paisagista, o parque não possui nenhuma placa ou sinalização que informe aos visitantes que aquele foi seu local de nascimento. A proposta do espaço concentrou-se na preservação de um remanescente de Mata Atlântica existente no terreno, deixando de registrar esse importante episódio da história cultural brasileira.
Vale a visita para imaginar o cenário onde começou a trajetória daquele que revolucionaria o paisagismo tropical. É curioso perceber que o homem que mais tarde transformaria jardins em obras de arte nasceu justamente em um trecho da cidade que hoje simboliza a urbanização paulistana.

O que observar

O remanescente de Mata Atlântica preservado no parque.
A localização histórica da antiga Vila Fortunata.
O contraste entre o intenso movimento da Paulista e esse pequeno refúgio verde.

MASP

Descubra o Burle Marx pintor
Endereço: Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista

Roberto Burle Marx entrou para a história como um dos maiores paisagistas do século XX, mas ele próprio nunca separou essa atividade de sua produção artística. Pintor, desenhista, gravador, tapeceiro e escultor, costumava afirmar que um jardim não era uma pintura, mas que ambas as linguagens se alimentavam mutuamente. Para compreender sua obra por inteiro, vale a pena visitar o MASP, que preserva importantes exemplos dessa faceta menos conhecida de sua carreira.
O museu possui em seu acervo permanente duas pinturas representativas da década de 1930. Fuzileiro naval (1938) revela a forte influência de Candido Portinari, de quem Burle Marx foi aluno e assistente. A construção sólida da figura humana, a paleta de cores e o tratamento formal demonstram o diálogo entre mestre e discípulo. Já Sem título, também da década de 1930, retrata uma mulher negra com grande sensibilidade e evidencia seu interesse pelas formas, volumes e relações cromáticas, características que mais tarde seriam transferidas para seus projetos paisagísticos.

O que observar

Fuzileiro naval (1938), uma das obras mais importantes da fase em que Burle Marx trabalhou ao lado de Candido Portinari
Foto: João Musa
Sem título (década de 1930), em que já aparecem o interesse pelas formas, pelos volumes e pela composição
Foto: MASP

Centro Cultural Fiesp

Um jardim escondido na Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 1313 – Bela Vista

Poucos visitantes imaginam que um dos jardins mais interessantes de Roberto Burle Marx está escondido nos fundos do edifício da Fiesp. É só entrar e caminha até o fundo do prédio onde fica um café. O espaço pode ser visitado gratuitamente e revela uma faceta pouco conhecida do paisagista: sua capacidade de trabalhar em áreas reduzidas sem perder força plástica.
O melhor é ver o jardim de cima, mas visto ali do café já é bem interessante. Note que ao invés de linhas orgânicas Burle Marx optou por usar o formato de gravatinhas borboletas que também lembram ampulhetas. É dele também o painel que fica no fundo. O ideal é ver o jardim de cima, mas não existe este acesso público.
Aproveite e dê a volta no quarteirão para ver o painel vertical que fica do outro lado do jardim na Alameda Santos.

O que observar

O uso das plantas coloridas para contrastar com o cimento. Foto: Roberto Araújo
As linhas dos canteiros vistas em perspectiva. Foto: Roberto Araújo
A integração entre o jardim e o painel voltado para a Alameda Santos. Foto: Roberto Araújo

Casa das Rosas

O clássico e o moderno convivendo juntos
Endereço: Avenida Paulista, 37 – Paraíso

A Casa das Rosas é um dos últimos casarões da antiga Avenida Paulista. Tombado pelo patrimônio histórico na década de 1980, o edifício foi preservado durante a construção do moderno Edifício Parque Cultural Paulista. Coube a Roberto Burle Marx criar o paisagismo capaz de integrar essas duas arquiteturas tão diferentes.
Sua solução foi elegante e discreta. Em vez de competir com o jardim de rosas clássico da residência, Burle Marx utilizou formas orgânicas, massas vegetais em belíssimos painéis verticais.
Assim, vale a pena se deixar levar pela beleza do jardim das rodas e depois caminhar até os lados do imenso edifício que fina próximo a Alameda Santos e apreciar o trabalho de Burle Marx. Que aliás, pouca gente sabe que é trabalho dele.

O que observar

O contraste entre o clássico do Jardim das Rosas e o modernismo dos painéis verticais.
As formas características dos desenhos de Burle Marx.
A valorização da Casa das Rosas por meio do paisagismo. Foto: Roberto Araújo

Banco Safra

Um jardim privativo
Endereço: Avenida Paulista, 2100 – Cerqueira César

Este é só pra saber que existe porque é privativo e não está aberto a visitação.
Projetado na década de 1980, permanece praticamente desconhecido do grande público, embora seja considerado uma das composições mais refinadas da fase madura do paisagista.
Diferentemente de seus grandes parques públicos, Burle Marx trabalhou aqui em uma escala reduzida, transformando o jardim em uma verdadeira obra de arte. O desenho privilegia formas orgânicas, caminhos sinuosos e o equilíbrio entre massas vegetais, revelando o mesmo rigor compositivo presente em seus guaches e pinturas. A vegetação deixa de ser protagonista para dividir a atenção com a geometria do projeto, numa integração perfeita com a arquitetura do edifício.

Foto: Tales Azzi

0

 likes / 0 Comments
Compartilhe: