07-2026
Pam Faccin propõe um novo olhar para os jardins brasileiros
Em um bate-papo com convidados realizado em seu jardim na CASACOR SP, a arquiteta paisagista Pam Faccin apresentou os conceitos que norteiam seu trabalho. Com o tema “Paisagismo naturalista: as paisagens da Mata Atlântica como referência”, o encontro do programa Diálogos CASACOR foi um convite à reflexão sobre o potencial da flora brasileira para criar espaços que unem estética, biodiversidade e identidade cultural. Diante de profissionais, estudantes e visitantes da mostra, a especialista em flora brasileira compartilhou os princípios que orientam sua atuação e conduziu uma visita pelo jardim da praça de entrada do evento, permitindo que os participantes observassem, na prática, como suas ideias se traduzem em um projeto paisagístico.

O jardim desenvolvido para a CASACOR reúne mais de 100 espécies nativas, muitas delas endêmicas da Mata Atlântica paulista, distribuídas em composições inspiradas em três paisagens características do bioma: as florestas umbrófilas, as restingas e as formações serranas. O projeto também prioriza materiais de baixo impacto ambiental e foi concebido para demonstrar que jardins biodiversos podem aliar estética, funcionalidade e sustentabilidade. o longo da apresentação, a paisagista destacou que a utilização de espécies brasileiras não deve ser compreendida apenas como uma estratégia ambiental. Para ela, a flora nativa também representa uma forma de fortalecer a identidade cultural do país.

“As plantas brasileiras comunicam identidade, cultura e pertencimento.”
Pam também defendeu uma mudança na forma como o paisagismo brasileiro enxerga sua própria biodiversidade, ressaltando que o potencial ornamental das espécies nativas ainda é pouco explorado.

“O mundo reconhece o valor estético da nossa flora e eu acredito que já está na hora do Brasil fazer o mesmo.”
Durante o bate-papo, a discussão se estendeu aos desafios para ampliar a presença de espécies nativas nos jardins brasileiros. Segundo a arquiteta, embora existam viveiristas produzindo novas plantas, o mercado ainda precisa ampliar o repertório de profissionais e consumidores para que essa produção se consolide.

“O que falta para esse mercado se movimentar mais é todos os paisagistas terem um repertório maior e dar saída para essas plantas.”
Após a apresentação, os participantes puderam percorrer o jardim ao lado da paisagista, observando de perto as diferentes composições inspiradas na Mata Atlântica e conhecendo espécies que ilustram sua proposta de um paisagismo mais conectado à biodiversidade brasileira, à identidade cultural e às características de cada território.
